COOPERATIVISMO

Etimologicamente, cooperação (do verbo latino cooperari, de cum e operari = operar juntamente com alguém) significa a prestação de auxílio para um fim comum. E cooperativismo é a doutrina que visa à renovação social através da cooperação.

Do ponto de vista sociológico, cooperação é uma forma de integração social e pode ser entendida como ação conjugada em que pessoas se unem, de modo formal ou informal, para alcançar o mesmo objetivo. Do ponto de vista econômico, o cooperativismo tem dois pólos, sem os quais é impossível se constituir uma economia a serviço do consumo e a humanização e justa remuneração pelo trabalho.

A doutrina cooperativa coloca, em primeiro lugar, a pessoa humana e procura, através do "self-help" (ajude-te a ti mesmo) e da associação democrática (ajudemo-nos uns aos outros), corrigir os males da sociedade capitalista e prestar serviços. O cooperativismo é uma alternativa econômica humana, que equilibra custo, despesa e ganho, que não visa lucro e que usa o fator econômico como meio de se alcançar fins sociais.

No Cooperativismo, o protagonista é o homem, sendo o desenvolvimento econômico mero acessório para possibilitar o desenvolvimento daquele. O princípio da solidariedade é o que vigora, onde todos devem enxergar-se no outro e, com isso, ver seus problemas e com ele vivê-los para que juntos possam superá-los.

Princípios Fundamentais do Cooperativismo

Os Sete Princípios do Cooperativismo são as linhas orientadoras por meio das quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Foram aprovados e utilizados na época em que foi fundada a primeira cooperativa do mundo, na Inglaterra, em 1844. São eles:

1º – Adesão voluntária e livre – as cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, sociais, raciais, políticas e religiosas.

2º – Gestão democrática – as cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus membros, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Os homens e as mulheres, eleitos como representantes dos demais membros, são responsáveis perante estes. Nas cooperativas de primeiro grau os membros têm igual direito de voto (um membro, um voto); as cooperativas de grau superior são também organizadas de maneira democrática.

3º – Participação econômica dos membros – os membros contribuem eqüitativamente para o capital das suas cooperativas e controlam-no democraticamente. Parte desse capital é, normalmente, propriedade comum da cooperativa. Os membros recebem, habitualmente, se houver, uma remuneração limitada ao capital integralizado, como condição de sua adesão. Os membros destinam os excedentes a uma ou mais das seguintes finalidades:

  1. desenvolvimento das suas cooperativas, eventualmente através da criação de reservas, parte das quais, pelo menos será, indivisível;
  2. beneficios aos membros na proporção das suas transações com a cooperativa; e
  3. apoio a outras atividades aprovadas pelos membros.

4º – Autonomia e independência – as cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas, ou recorrerem a capital externo, devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático pelos seus membros e mantenham a autonomia da cooperativa.

5º – Educação, formação e informação – as cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros, dos representantes eleitos e dos trabalhadores, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação.

6º – Intercooperação – as cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais – força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.

7º – Interesse pela comunidade – as cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros.

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